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29 de Julho de 2020

Fui acordada às duas da manhã pela Luísa! Meia a dormir lá cambaleei até ao quarto dela. Acendi a luz. Quando me viu fez um sorriso tão feliz que uma pessoa até se esquece que não dorme uma noite de jeito desde o Natal. Faltava mais ou menos um quarto para as três quando voltei à minha cama. Nada mau. Às vezes acorda e já não volta a dormir. Atirei-me para a cama. Meia hora depois. Chegou o Pedro. Devia ter saído às 16 horas do hospital mas teve uma emergência que o fez chegar a horas indecentes a casa. Acho que falei com ele. Mas não me lembro muito bem. Às 5h30. Vasco. Vasco. E Vasco. É daqueles despertadores chatos que uma pessoa carrega no botão e 5 minutos depois volta a tocar aquele piiiiiiiiiiiiiiiiiiii ..... Tanta foi a fita que achei melhor sair da cama ou ainda acordava o Pedro. Desci as escadas. E não quis acreditar quando o cão. Este mafarrico. Me convidou para dar um passeio. É tudo muito bonito. Com este cão. Mas tem fases em que se sente carente e só me quer a mim. Pois....

Fui às compras!

Ontem. Fui às compras. Começando a história pelo principio. Lembram-se do Senhor Ludovino? O meu vizinho de Carcavelos. Quem tudo o Covid levou incluindo a memória ou quem não é do tempo do Senhor Ludovino pode ir ao meu blog antigo inteirar-se sobre quem é a personagem . Todos os dias falo com o Senhor Ludovino. Se por acaso me esqueço de lhe ligar. No dia seguinte pelas 20h30 recebo uma chamada dele. A perguntar porque é que não liguei no dia anterior. A conversa é sempre meio lamurienta. - Não saio de casa! Passo os dias à porta do prédio! - Se está à porta do prédio é porque sai de casa. - Estar à porta do prédio não é sair de casa! Não passa aqui ninguém é como estar preso. É verdade. O meu prédio antigo fica numa esquina e não passa muita gente por ali. Tem bastante comércio nos outros prédios mas ninguém passa à nossa porta. Nunca mais fui às compras. Quando percebi que ia ficar muito tempo fechada em casa e ainda por cima com três miúdas pequenas falei com um ...

Alice. Volta a atacar....

Na minha família quase não há troca de prendas. Entre os mais próximos há o amigo secreto, sorteado no Natal anterior. Para as crianças temos também as regras definidas e as p rendas são combinadas entre nós. Mas... ....existem tios e tias com os quais me identifico muito e que gosto de visitar não só nesta época mas especialmente nesta época. Ontem à tarde fui com a Alice e com a Mariana a casa da minha tia Luz. Comprei uns chocolates que eu sei que gostam para lhes oferecer. Um presente simbólico para não aparecer de mãos a abanar e que não comprometeu o nosso pacto de: "não às prendas". Quando saí do carro passei o saquinho dos chocolates para a mão da Alice e disse-lhe: - Queres ser tu a dar à tia Luz? Ao que a miúda olhou e abriu a boca: - Ela também nos vai dar alguma coisa? (não disse desta forma tão correta mas traduzido é algo semelhante) -Não sei, nem interessa. Não damos presentes para receber em troca, damos presentes porque gostamo...

mistério....

A Mariana nasceu. E não percebeu. Passava os dias de olhos fechados. Dormia. Comia. Dormia. E só abria bem os olhos quando de repente estava dentro de uma banheira.  Berrava. Ouvia-se muito bem em Timor. Gritava. Ouvia-se muito bem na Austrália. E rogava pragas a quem lhe dava banho. Ouviu muito bem São Pedro.  Dormia tanto que eu comecei a ficar preocupada. Uma mãe pensa em coisas que mais ninguém pensa. E eu achei que a miúda tinha défice qualquer. O pediatra disse-me para ganhar juízo. Agradecer a sorte. E calar-me para sempre porque costuma dar azar este tipo de queixas. A miúda continuou a dormir. Bem. Muito bem. Dava-lhe banho pelas 18h30. Jantava. Estava um bocadinho comigo ou com o pai. E adormecia entre as 19h30 e as 20h. Acordava fresca e fofa no dia seguinte. Entre as 7 horas e as 7h30. Mas... ...o pediatra tinha razão. Eu devia ter estado calada. Em Outubro deu o ar da sua graça pela 1h da manhã. Chorou. Levantei-me. Óbvio... ...

péssima mãe! Em 3, 2, 1.....

A Alice tem uma trotineta. Depois de regressarmos da África do Sul, um dos muitos dias que passeamos aqui pelo paredão, a Alice viu vezes sem conta miúdos com trotinetas e não se calava com isso. Eu fingi que não ouvi. O Pedro a mesma coisa. Mas os padrinhos são do piorio e o meu sobrinho, padrinho da Alice, ofereceu-lhe uma... Adora! Anda com a trotineta como se fosse os próprios pés... Cai! Já caiu muitas vezes... ...mas nada de grave. Uma esfoladela aqui. Uma nódoa negra acolá.. Se tirar para trás das costas todas a preocupações de mãe, acho que lhe faz bem andar de trotineta. Toda a gestão corporal que tem de fazer parece-me positivo. Trotineta sim! Mas... ...uma das regras implementadas foi: - Só andas de trotineta quando a mãe ou o pai estiverem a ver! Os acidentes acontecem demasiado depressa e preveni-los nem sempre se consegue mas pelo menos que se seja rápido logo a seguir ao acidente. Foi o que nós pensámos. É claro que dona Alice cumpre as regras só às ve...

preciso respirar

Será só comigo? O tempo passa sem eu dar conta. A Alice já vai a caminho dos 3 anos, parece que foi ontem que a fui buscar. Era uma miúda, miudinha e calada. E depois sem eu dar conta cresceu. E tornou-se numa bailarina com opiniões e conversadora. O meu bebé já não é um bebé. Não sei quando deixou de ser um bebé porque não dei por isso. Será só comigo? O tempo passa sem eu dar conta. Parece que foi ontem. Conheci o Pedro. Apaixonei-me por ele. Tive uns dias dramáticos sem saber se ele sentia o mesmo que eu. Passou tão depressa.  Num piscar de olhos casámos. Foi tudo tão rápido. Na minha cabeça pairam algumas recordações sobre o dia em que casámos mas nem tudo é nítido. Passou tão depressa. A lua de mel? Um estalar de dedos...tal como todos os dias que temos passados juntos. Será só comigo? O tempo passa sem eu dar conta. Fiquei grávida. E a gravidez passou tão depressa que nem dei o tempo passar. Mentira. O ultimo mês custou-me um bocado. Mas...

Ora! Não me apetece!

Ontem! Corri o dia todo! Grávida.Enorme. Corri o dia todo e fiz correr a Luísa. Não corri. Pronto! É mais correto dizer que não parei. Deixei as miúdas em casa dos meus sogros pelas 8h. Voltei a casa. Fui buscar uma encomenda aos correios que são mesmo aqui ao lado. Voltei a casa. Respondi a uns email's urgentes. Peguei no carro e fui para Lisboa, visitar a Luísa. Fui ao médico. Encontrei-me com o Pedro no hospital e fomos os dois à consulta. A Luísa está fina! Voltei ao hospital do Pedro. Peguei no carro e rumei até ao El Corte Ingles. Fiz compras. Voltei ao hospital e almocei com o Pedro. Peguei no carro e fui a Campo de Ourique visitar a minha professora primária. Tem 88 anos! Voltei a casa dos meus sogros e trouxe as duas encomendas comigo. Alice e Mariana. Já não chovia mas estava desagradável. E eu estava cansada. Ouvi uma vozinha vinda de trás do carro. A Alice: -Ó mamã vamos aos baioiços.... Atingiu-me como uma espada. Baloiços?? - Alice, hoje...

a gravidade não perdoa..

A Mariana é uma bebé muito calma. Não é de chorar. Durante os primeiros tempos dormia tanto que eu cheguei a perguntar ao pediatra se se passava alguma coisa. Respondeu-me: - Agradece aos deuses e cala-te. Eu calei-me mas sempre com a pulga atrás da orelha observava a miúda. Quando começou a comer sólidos, começou a fazer um som com a boca. Eu e o Pedro olhávamos um para o outro sem perceber nada. Para nós era só um som. A Alice percebeu logo tudo. A irmã estava a pedir comidinha. Não chorava. Pedia. Pedia. Pedia. Mas.... ...a miúda cresceu. Cresce todos os dias como todas as crianças. Não sei se de ver a irmã a correr por todos os lados, se é por perceber que Alvalade existe... ..quer porque quer deslocar-se. Não é fácil. Com a cabeça enorme que tem. O rabo com fralda incluída. E a gravidade não perdoa.... ..a miúda bem tenta. Mas nada de gatinhar. Estamos a conhecer outra Mariana. A chateada. A mal disposta. A exaurida. Com um mau feitio capaz de dobrar o m...

escrever

Eu não sei escrever. E este post podia terminar já aqui. Vai terminar já aqui? Claro que não! Tudo o que escrevo é mauzinho. Não escrevi mau. Escrevi mauzinho. É escrito com muito boa vontade. Tirado a ferros. É aquele tipo de escrita fofinha. Mas sem qualquer tipo de formalidade. Que se lixe o sujeito. O predicado. E o verbo. E por isso é mauzinho. Os textos escritos são diferentes uns dos outros. Na forma e no conteúdo. Alguns passam emoção. Outros informação. Por exemplo. Não posso exigir de uma notícia o mesmo que exijo de uma crónica, por exemplo.  Por isso é que têm nomes diferentes. Há textos francamente bons.  E outros francamente maus. Este provavelmente. Depois existem textos que são muito maus mas estão mascarados de bons. São escritos por pessoas que conhecem a formalidade da língua.  Não dão erros. Nem ortográficos, nem gramaticais. Mas desconhecem a vida ou a emoção.  Não transmitem nada com as palavras que...

uma história de Natal...

Tinha 8 anos. E o meu pai tinha tirado a semana do Natal para irmos todos ao Alentejo. Mal chegámos a casa da minha avó pus os olhos num gato. A minha avó lá explicou que tinha aparecido um gato lá em casa. Os meus avós tinham um cão. Que o meu avô adorava. E o gato chateava demasiado o cão. O meu avô já tinha dito à minha avó para não alimentar o gato. Mas a minha avó lá ia dando às escondidas comida ao gato. O gato era pouco simpático. Medroso. E arisco. O aspeto também não ajudava. Era o gato mais feio que alguma vez já tinha visto. Esqueçam os gatos amorosos. Este parecia o anti-cristo. - Joana não toques no gato que te arranha. E doenças. E pulgas. Avisou-me a minha mãe. É claro que não dei ouvidos à minha mãe. E passadas duas horas de lá ter chegado, estava irreconhecível. Tal era o nível de arranhanço. Não me dei por vencida. Claro, que não. Comecei a roubar leite aos poucos. Via quando estava livre a cozinha e cá vai disto... Depois,...

as compras de Natal. E o efeito borboleta...

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Nasci perto do estádio de Alvalade. Mas vivi até aos 17 anos no Bairro de Campo de Ourique em Lisboa. Campo de Ourique teve sempre muitos espaços comerciais. Pelo menos na altura. A última vez que lá fui constatei que com a crise muitas lojas tradicionais fecharam. Algumas permanecem fechadas. Outras foram resgatadas por marcas internacionais. Não é a mesma coisa. Quando era pequena uma parte da minha família fazia compras no estrangeiro. Paris. Londres. Ou até Milão. Lembro-me de ir a Paris com os meus pais e os meus irmãos e passar por uma loja com carrinhos. E a minha mãe dizer: - Olha tão giro para dar no Natal ao António e ao Filipe. E o meu pai responder: - Não, compramos lá. Eu miúda, não percebia. E é claro que perguntava ao meu pai. E o meu dizia-me sempre o mesmo. - Temos de ajudar os nossos. Os do pé da porta. É muito importante que existam. Hoje concordo com o meu pai. E para além de concordar faço o que ele faz. Compro ao pé da porta. O...

como tirar-me do sério...

É difícil...mas tem gente que consegue... Uma amiga minha a M. tem uma amiga a F. que me tira completamente do sério. Já esteve em minha casa duas vezes! Cada uma das vezes quase fiquei com uma ulcera no estômago...ou noutro sitio onde as ulcera floresçam rápido. A criatura mexe em tudo!! A criatura abre armários e elogia a loiça. A criatura pergunta o preço de tudo. Quando respondo que fui eu que fiz (em algumas peças feitas por mim) pergunta quanto levo para lhe fazer igual. Quando digo que não faço para vender só para mim e para os que me estão mais próximos amua. Mas logo se recompõe...com pena minha! Ontem liga-me a M. a dizer que passava aqui por casa mas que trazia a F.. Comecei a hiperventilar. A M. sossegou-me, disse que o namorado da F., o A. também vinha. Descansei. De certeza que não vai fazer aquelas figurinhas em frente ao namorado. Pois bem, enganei-me! O A. é pior que ela. O A. não é de António, António foi engano de certeza...o A é de...