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A mostrar mensagens de 2019

2020!

2020!? Como assim, 2020!?? Nasci em 1981! Como é que passou tão depressa?? A verdade é que passou. Passou sem eu dar conta. Em 2021, daqui a um ano, vou fazer 40 anos! 40! Não acho possível, logo eu que ainda acho que sou uma miúda! No ano passado a minha resolução foi só uma! Ficar 65 dias offline.  Ao contrário do ano anterior que tinham sido 10, no ano passado com o aproximar do nascimento da Mariana resolvi ter juízo! Com quase 40 anos...é o que se espera!!😊 Sinceramente não sei se estive 65 dias offline. Acho que estive mas não tenho a certeza.  Eu até tinha uma check list e tudo! Pois tinha... ...mas de repente tinha duas filhas. De repente mudámos de continente. De repente estava grávida de novo. E depois voltámos. E check list ficou a apanhar tangerinas num sitio qualquer. Escrevi muito menos no blog. Não por qualquer embirração minha mas porque tive mesmo muito menos tempo. E o tempo que tinha não era meu. Ter filhos é o mesmo que não pod...

Marta

A maioria sabe que este blog não começou aqui. Este blog começou no Sapo em 2016. Parece que foi no século passado. A verdade é que para mim foi numa outra vida. O que de bom tem o Sapo é a vizinhança. De repente comecei a ser visitada e a visitar. Deixei comentários que me foram retribuídos. A Marta foi uma das pessoas com quem me relacionei logo no inicio.  E embora não comentasse o seu blog era um dos que visitava sempre. O que me fez ficar no seu blog foi o sentido de humor. Tão diferente do meu! Muitas vezes saía do blog dela a perguntar o que queria ela com aquele post.  A Marta foi tão importante para mim no inicio que quando fiz um mês de blog, achava eu que era um grande feito senti-me na necessidade de lhe agradecer com uma ligação direta para o seu blog. Penso que ainda em 2016 escreveu um post a informar que tinha cancro. Com uma coragem que me impressionou. Desde aí lutou e foi sempre escrevendo e descrevendo no blog a sua luta int...

dia 2

Já não durmo desde nem sei quando por isso este texto pode não fazer sentido... A Luísa nasceu pequenina mas com uma vontade incrível de se fazer à vida! A miúda mexe-se muito e não gosta nada de estar apertada. Roupa não é com ela. Sente-se feliz apenas e só com fralda e é porque está bem disposta. Tudo o que impeça os braços e as pernas de se mexerem não é para ela. A miúda tem um apetite voraz o que nos deixa muito aliviados. O peso está estável e se continuar a comer assim vai começar a aumentar em menos de nada. A miúda já fez os seus cocós e xixis o que me deixou descansada. Nasceu antes do tempo mas com as peças todas e os circuitos todos funcionais, rins incluídos..não vá o pai deserdá-la. Dormir é para o povo. Pequena Luísa tem mais do que fazer. Dorme leve, levemente depois de comer mas... ...mal damos conta tem os olhos mais abertos que nem sei.  É muito sociável. A solidão não é para ela.  Gosta é de ter alguém ao lado e se po...

Luísa

A Luísa nasceu de madrugada contra todas as previsões. Pesa 1,516 kg e mede 41 cm.  Embora seja prematura, até ao momento passa mais tempo acordada que a irmã Mariana quando nasceu.  É uma comilona, refilona e tem muita genica. A Joana e a Luísa estão bem. Tanto eu como a Joana ainda estamos em choque mas muito felizes. Agradecemos todas as mensagens que nos têm chegado e prometemos responder a todas com tempo. Pedro

Bingo!

23 de Dezembro. 1989. Saímos cedo de casa. Diretos ao Alentejo. Os meus avós esperavam-nos. Alguns tios meus já lá estavam. E primos também. Não aguentava de ansiedade. Ia comer doces até cair para o lado. - Até parece que passas fome, Joana! Não passava fome. Nunca passei fome. Mas os doces da minha avó eram os melhores do mundo e algumas iguarias só eram feitas no Natal. Não aguentava de ansiedade. Os meus primos estavam lá. Os mais velhos não queria nem saber. Mas o meu primo Filipe. O meu comparsa. O meu amigo. O meu companheiro de patifarias e aventuras. Não aguentava. Não aguentava. Não aguentava de ansiedade. E as prendas?? As prendas, senhores! As prendas. Até a minha irmã me tinha comprado prenda! Eu vi. Estava à espreita quando ela arrumou as prendas dentro do saco. E vi com estes olhos que Deus me deu uma etiqueta que dizia: Joana. Joana era eu! Não havia outra Joana na família. Nunca mais chegávamos. Nunca mais. - Ainda falta muito? - Não, está quase. ...

Alice. Volta a atacar....

Na minha família quase não há troca de prendas. Entre os mais próximos há o amigo secreto, sorteado no Natal anterior. Para as crianças temos também as regras definidas e as p rendas são combinadas entre nós. Mas... ....existem tios e tias com os quais me identifico muito e que gosto de visitar não só nesta época mas especialmente nesta época. Ontem à tarde fui com a Alice e com a Mariana a casa da minha tia Luz. Comprei uns chocolates que eu sei que gostam para lhes oferecer. Um presente simbólico para não aparecer de mãos a abanar e que não comprometeu o nosso pacto de: "não às prendas". Quando saí do carro passei o saquinho dos chocolates para a mão da Alice e disse-lhe: - Queres ser tu a dar à tia Luz? Ao que a miúda olhou e abriu a boca: - Ela também nos vai dar alguma coisa? (não disse desta forma tão correta mas traduzido é algo semelhante) -Não sei, nem interessa. Não damos presentes para receber em troca, damos presentes porque gostamo...

É um porco!

A Alice anda no ballet. Nada de sério, claro! No início de outubro fui assistir a uma exibição de dança com vários estilos, no colégio da minha sobrinha. A minha sobrinha está na dança contemporânea mas já se passeou pelo ballet. A Alice assistiu e adorou. No final a minha sobrinha fez-nos uma visita guiada pelo colégio, a Alice lá deu um ar de sua graça e uma professora da direção perguntou-me se não queria assistir um dia, com a Alice, a uma aula de ballet dos mais pequenos. Disse-lhe que a miúda ainda não tinha 3 anos. Respondeu-me que não fazia mal. É óbvio que é uma estratégia para arranjarem mais alunos mas... ...um dia passei por lá com a Alice. Deixaram a Alice participar.  A Alice adorou. E acabei por inscrevê-la. Vai lá às terças e às quintas. Acho que é o melhor momento da semana dela. A Alice é uma miúda muito picuinhas com a roupa e com ela própria. Detesta amarrotanços. Detesta o mínimo de sujidade. É uma criança. Suja-se. Põe nódoas. ...

dignidade 0. Joana 5.

Pela tarde. Depois de ter trabalhado, trabalhado, trabalhado. Fui às compras. Deus me livre de me meter numa grande superfície. Estive numa a semana passada e quase me atirei para o chão a chorar. Tanta, tanta gente... Não tinha muitas coisas para comprar. Fui a uma mercearia de bairro. A pé. Primeiro erro. Deixei o guarda-chuva em casa. O dia estava chuvoso mas não estava a chover, a mercearia era logo ali e tinha a certeza absoluta que não ia chover. Segundo erro. Não levei um saco de compras em condições. Queria comprar pouca coisa porque tinha tudo em casa. Era só uma fruta e assim, ah! e frutos secos...e pouco mais. Também não levei mala. Levei um tote bag (deste tipo) daqueles que as marcas nos oferecem às vezes. Lá fui eu. A barriga à frente. A Joana atrás. Na mercearia. - Olha que marmelos tão bons! Escolhi 4 para assar ao jantar. - Olha que maçãs bravo de esmolfe, fenomenais. Escolhi uma meia dúzia. - Olha para estas passas de figo. E as de ameixa. Ah!...

mistério....

A Mariana nasceu. E não percebeu. Passava os dias de olhos fechados. Dormia. Comia. Dormia. E só abria bem os olhos quando de repente estava dentro de uma banheira.  Berrava. Ouvia-se muito bem em Timor. Gritava. Ouvia-se muito bem na Austrália. E rogava pragas a quem lhe dava banho. Ouviu muito bem São Pedro.  Dormia tanto que eu comecei a ficar preocupada. Uma mãe pensa em coisas que mais ninguém pensa. E eu achei que a miúda tinha défice qualquer. O pediatra disse-me para ganhar juízo. Agradecer a sorte. E calar-me para sempre porque costuma dar azar este tipo de queixas. A miúda continuou a dormir. Bem. Muito bem. Dava-lhe banho pelas 18h30. Jantava. Estava um bocadinho comigo ou com o pai. E adormecia entre as 19h30 e as 20h. Acordava fresca e fofa no dia seguinte. Entre as 7 horas e as 7h30. Mas... ...o pediatra tinha razão. Eu devia ter estado calada. Em Outubro deu o ar da sua graça pela 1h da manhã. Chorou. Levantei-me. Óbvio... ...

péssima mãe! Em 3, 2, 1.....

A Alice tem uma trotineta. Depois de regressarmos da África do Sul, um dos muitos dias que passeamos aqui pelo paredão, a Alice viu vezes sem conta miúdos com trotinetas e não se calava com isso. Eu fingi que não ouvi. O Pedro a mesma coisa. Mas os padrinhos são do piorio e o meu sobrinho, padrinho da Alice, ofereceu-lhe uma... Adora! Anda com a trotineta como se fosse os próprios pés... Cai! Já caiu muitas vezes... ...mas nada de grave. Uma esfoladela aqui. Uma nódoa negra acolá.. Se tirar para trás das costas todas a preocupações de mãe, acho que lhe faz bem andar de trotineta. Toda a gestão corporal que tem de fazer parece-me positivo. Trotineta sim! Mas... ...uma das regras implementadas foi: - Só andas de trotineta quando a mãe ou o pai estiverem a ver! Os acidentes acontecem demasiado depressa e preveni-los nem sempre se consegue mas pelo menos que se seja rápido logo a seguir ao acidente. Foi o que nós pensámos. É claro que dona Alice cumpre as regras só às ve...

preciso respirar

Será só comigo? O tempo passa sem eu dar conta. A Alice já vai a caminho dos 3 anos, parece que foi ontem que a fui buscar. Era uma miúda, miudinha e calada. E depois sem eu dar conta cresceu. E tornou-se numa bailarina com opiniões e conversadora. O meu bebé já não é um bebé. Não sei quando deixou de ser um bebé porque não dei por isso. Será só comigo? O tempo passa sem eu dar conta. Parece que foi ontem. Conheci o Pedro. Apaixonei-me por ele. Tive uns dias dramáticos sem saber se ele sentia o mesmo que eu. Passou tão depressa.  Num piscar de olhos casámos. Foi tudo tão rápido. Na minha cabeça pairam algumas recordações sobre o dia em que casámos mas nem tudo é nítido. Passou tão depressa. A lua de mel? Um estalar de dedos...tal como todos os dias que temos passados juntos. Será só comigo? O tempo passa sem eu dar conta. Fiquei grávida. E a gravidez passou tão depressa que nem dei o tempo passar. Mentira. O ultimo mês custou-me um bocado. Mas...

Estamos em casa

Aqui em casa.   Falamos alto.  E às vezes gritamos.  Decibéis ao alto.  Um tal alarido que muitas vezes.  Os adultos aqui de casa. Param para pensar...nos vizinhos.  Aqui em casa.  Rimos alto.  Rimos muito.  Até chorarmos. Até o Pedro. Contido. E sério.  Desmancha-se a rir sobretudo quando percebe o chorrilho de disparates que sai da boca das mulheres aqui de casa. Aqui em casa.  Corremos.  Feitos tontos. Uns atrás dos outros.  - Não me apanhas. Não me apanhas. Descemos as escadas sem cuidado. Um dia destes a grávida rebola..... Aqui em casa.  Comemos muito.  De todas as cores. E feitios.  Se os feitios e as cores passarem pelo crivo do ditador Pedro. Aqui em casa.  Somos doentes pelo Sporting.  Choramos. (Eu! e a Luisinha por arrasto.) Descabelamos-nos. (Eu! e a Luisinha por arrasto.) E hoje andamos doentes. Eu....os restantes...

Grandaaaaas malucos!

Uma pessoa anda grávida e pesada. E cansada. Às vezes exausta... O Pedro anda a trabalhar desalmadamente. Temos as miúdas. E os bicharocos todos. Ah! Não estamos a ir para novos. A memória anda linda.... E o planeamento que fazia e que funcionava lindamente...já não funciona tão bem porque não tenho tempo sequer de me sentar e planear o que quer que seja. Pois.  Queria fazer pão. Não tínhamos farinha! Podia ir eu às compras.  Podia ir o Pedro.  Fomos todos.  Depois das compras íamos dar uma volta com as miúdas num parque aqui perto de casa e das compras. O Pedro ficou com as miúdas no carro.  Porque eu é que SEI escolher as farinhas como deve ser!! Eu sei escolher farinhas como ninguém mas... ...esqueci-me da minha mala no carro. O Pedro viu, pegou nas miúdas. E foi ter comigo. Ia eu a entrar na loja e à porta estava um rapazinho a dar qualquer coisa. Parei para ver o que é que tinha para dizer e nisto estende-m...

Ora! Não me apetece!

Ontem! Corri o dia todo! Grávida.Enorme. Corri o dia todo e fiz correr a Luísa. Não corri. Pronto! É mais correto dizer que não parei. Deixei as miúdas em casa dos meus sogros pelas 8h. Voltei a casa. Fui buscar uma encomenda aos correios que são mesmo aqui ao lado. Voltei a casa. Respondi a uns email's urgentes. Peguei no carro e fui para Lisboa, visitar a Luísa. Fui ao médico. Encontrei-me com o Pedro no hospital e fomos os dois à consulta. A Luísa está fina! Voltei ao hospital do Pedro. Peguei no carro e rumei até ao El Corte Ingles. Fiz compras. Voltei ao hospital e almocei com o Pedro. Peguei no carro e fui a Campo de Ourique visitar a minha professora primária. Tem 88 anos! Voltei a casa dos meus sogros e trouxe as duas encomendas comigo. Alice e Mariana. Já não chovia mas estava desagradável. E eu estava cansada. Ouvi uma vozinha vinda de trás do carro. A Alice: -Ó mamã vamos aos baioiços.... Atingiu-me como uma espada. Baloiços?? - Alice, hoje...

como o mel

Os braços eram fortes. Os  abraços eram doces. Tão doces. Como o mel. Pegava-me pela mão. E mostrava-me a vida. Ensinava-me.  A galinha punha os ovos. Que a minha avó estrelava com todo o aprumo. - Ò vóoooo eu não quero a amarela desfeita.  Gritava eu a plenos pulmões para não restarem dúvidas! A amarela do ovo esbardalhada era uma tragédia pior que toda aquela tourada do Titanic. A cabra malhada dava leite. E a minha avó fazia queijos. Devagar. O leite coalhado passava de uma mão para a outra. Vezes sem conta. Sem se enganar. Sem se cansar. Eu comia queijo fresco até me fartar. Era a melhor das iguarias. Perfeito. Digno de uma centena de estrelas Michelin. As abelhas davam o mel. O tio Josézito tirava o mel das abelhas do meu avô. Na despensa estava sempre um frasco pronto a comer. - Depois de teres posto a colher na boca nada de a pores dentro do frasco outra vez. Dizia-me a minha avó. - Come à vontade mas cuidado com a colher....

a gravidade não perdoa..

A Mariana é uma bebé muito calma. Não é de chorar. Durante os primeiros tempos dormia tanto que eu cheguei a perguntar ao pediatra se se passava alguma coisa. Respondeu-me: - Agradece aos deuses e cala-te. Eu calei-me mas sempre com a pulga atrás da orelha observava a miúda. Quando começou a comer sólidos, começou a fazer um som com a boca. Eu e o Pedro olhávamos um para o outro sem perceber nada. Para nós era só um som. A Alice percebeu logo tudo. A irmã estava a pedir comidinha. Não chorava. Pedia. Pedia. Pedia. Mas.... ...a miúda cresceu. Cresce todos os dias como todas as crianças. Não sei se de ver a irmã a correr por todos os lados, se é por perceber que Alvalade existe... ..quer porque quer deslocar-se. Não é fácil. Com a cabeça enorme que tem. O rabo com fralda incluída. E a gravidade não perdoa.... ..a miúda bem tenta. Mas nada de gatinhar. Estamos a conhecer outra Mariana. A chateada. A mal disposta. A exaurida. Com um mau feitio capaz de dobrar o m...
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  Joana. 5 anos. Um dilema. Zé Maria dono de uma mercearia de Campo de Ourique fez-me uma proposta irrecusável. - Dou-te rebuçados até quereres mas tens de mudar para o Benfica. Zé Maria tinha discussões acesas com o meu avô Joaquim. Sobre futebol. O meu avô era do Sporting. O meu avô só via o Sporting. A proposta do Zé Maria tinha como objetivo atingir o meu avô. Eu não tinha percebido bem isso. Para mim só os rebuçados contavam. E ter de fazer esta escolha. Sporting ou rebuçados até cair para o lado. Era um dilema do caneco.   Pensei. Repensei. E voltei a pensar. Sempre que eu passava pela porta da mercearia lá aparecia o Zé Maria com a sua oferta. E eu ia para casa a remoer. O Sporting. Ou os rebuçados. Os rebuçados. Ou a proposta.   Chegou o verão e eu fui para o Alentejo. O meu avô era um homem de poucas falas. Ao contrário da minha avó Maria que enchia uma casa. Tinha um bocado de medo dele. Aquele homem já de idade. Sempre sério. Com uma voz que ecoav...