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Grandaaaaas malucos!

Uma pessoa anda grávida e pesada. E cansada. Às vezes exausta... O Pedro anda a trabalhar desalmadamente. Temos as miúdas. E os bicharocos todos. Ah! Não estamos a ir para novos. A memória anda linda.... E o planeamento que fazia e que funcionava lindamente...já não funciona tão bem porque não tenho tempo sequer de me sentar e planear o que quer que seja. Pois.  Queria fazer pão. Não tínhamos farinha! Podia ir eu às compras.  Podia ir o Pedro.  Fomos todos.  Depois das compras íamos dar uma volta com as miúdas num parque aqui perto de casa e das compras. O Pedro ficou com as miúdas no carro.  Porque eu é que SEI escolher as farinhas como deve ser!! Eu sei escolher farinhas como ninguém mas... ...esqueci-me da minha mala no carro. O Pedro viu, pegou nas miúdas. E foi ter comigo. Ia eu a entrar na loja e à porta estava um rapazinho a dar qualquer coisa. Parei para ver o que é que tinha para dizer e nisto estende-m...

Ora! Não me apetece!

Ontem! Corri o dia todo! Grávida.Enorme. Corri o dia todo e fiz correr a Luísa. Não corri. Pronto! É mais correto dizer que não parei. Deixei as miúdas em casa dos meus sogros pelas 8h. Voltei a casa. Fui buscar uma encomenda aos correios que são mesmo aqui ao lado. Voltei a casa. Respondi a uns email's urgentes. Peguei no carro e fui para Lisboa, visitar a Luísa. Fui ao médico. Encontrei-me com o Pedro no hospital e fomos os dois à consulta. A Luísa está fina! Voltei ao hospital do Pedro. Peguei no carro e rumei até ao El Corte Ingles. Fiz compras. Voltei ao hospital e almocei com o Pedro. Peguei no carro e fui a Campo de Ourique visitar a minha professora primária. Tem 88 anos! Voltei a casa dos meus sogros e trouxe as duas encomendas comigo. Alice e Mariana. Já não chovia mas estava desagradável. E eu estava cansada. Ouvi uma vozinha vinda de trás do carro. A Alice: -Ó mamã vamos aos baioiços.... Atingiu-me como uma espada. Baloiços?? - Alice, hoje...

como o mel

Os braços eram fortes. Os  abraços eram doces. Tão doces. Como o mel. Pegava-me pela mão. E mostrava-me a vida. Ensinava-me.  A galinha punha os ovos. Que a minha avó estrelava com todo o aprumo. - Ò vóoooo eu não quero a amarela desfeita.  Gritava eu a plenos pulmões para não restarem dúvidas! A amarela do ovo esbardalhada era uma tragédia pior que toda aquela tourada do Titanic. A cabra malhada dava leite. E a minha avó fazia queijos. Devagar. O leite coalhado passava de uma mão para a outra. Vezes sem conta. Sem se enganar. Sem se cansar. Eu comia queijo fresco até me fartar. Era a melhor das iguarias. Perfeito. Digno de uma centena de estrelas Michelin. As abelhas davam o mel. O tio Josézito tirava o mel das abelhas do meu avô. Na despensa estava sempre um frasco pronto a comer. - Depois de teres posto a colher na boca nada de a pores dentro do frasco outra vez. Dizia-me a minha avó. - Come à vontade mas cuidado com a colher....

a gravidade não perdoa..

A Mariana é uma bebé muito calma. Não é de chorar. Durante os primeiros tempos dormia tanto que eu cheguei a perguntar ao pediatra se se passava alguma coisa. Respondeu-me: - Agradece aos deuses e cala-te. Eu calei-me mas sempre com a pulga atrás da orelha observava a miúda. Quando começou a comer sólidos, começou a fazer um som com a boca. Eu e o Pedro olhávamos um para o outro sem perceber nada. Para nós era só um som. A Alice percebeu logo tudo. A irmã estava a pedir comidinha. Não chorava. Pedia. Pedia. Pedia. Mas.... ...a miúda cresceu. Cresce todos os dias como todas as crianças. Não sei se de ver a irmã a correr por todos os lados, se é por perceber que Alvalade existe... ..quer porque quer deslocar-se. Não é fácil. Com a cabeça enorme que tem. O rabo com fralda incluída. E a gravidade não perdoa.... ..a miúda bem tenta. Mas nada de gatinhar. Estamos a conhecer outra Mariana. A chateada. A mal disposta. A exaurida. Com um mau feitio capaz de dobrar o m...
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  Joana. 5 anos. Um dilema. Zé Maria dono de uma mercearia de Campo de Ourique fez-me uma proposta irrecusável. - Dou-te rebuçados até quereres mas tens de mudar para o Benfica. Zé Maria tinha discussões acesas com o meu avô Joaquim. Sobre futebol. O meu avô era do Sporting. O meu avô só via o Sporting. A proposta do Zé Maria tinha como objetivo atingir o meu avô. Eu não tinha percebido bem isso. Para mim só os rebuçados contavam. E ter de fazer esta escolha. Sporting ou rebuçados até cair para o lado. Era um dilema do caneco.   Pensei. Repensei. E voltei a pensar. Sempre que eu passava pela porta da mercearia lá aparecia o Zé Maria com a sua oferta. E eu ia para casa a remoer. O Sporting. Ou os rebuçados. Os rebuçados. Ou a proposta.   Chegou o verão e eu fui para o Alentejo. O meu avô era um homem de poucas falas. Ao contrário da minha avó Maria que enchia uma casa. Tinha um bocado de medo dele. Aquele homem já de idade. Sempre sério. Com uma voz que ecoav...

4 princípios. Para escolher os presentes de Natal...

Quando era pequena quem dava os presentes de Natal era o menino Jesus. Não havia cá Pai Natal para ninguém. Em minha casa abríamos as prendas no dia 25 de manhã. No dia 24 tínhamos a ceia de Natal. Mas nós crianças íamos para a cama lá para as 23h. Dia 25 de Dezembro era o único dia do ano que os meus irmãos queriam ser acordados por mim. Sim, eu em tempos já fui um despertador. Agora tenho o Vasco. Nesse dia de manhã saltávamos da cama e lá estavam elas. Três prendas debaixo da árvore de Natal. Era raro recebermos o que queríamos. Os meus pais deviam ter um plafond e nós tínhamos mais olhos que barriga. No ano em que queria muito, muito o monopólio recebi o loto da quinta. Era quase a mesma coisa.  Eu fiz um ar desapontado e disse: - Ó mãe, podemos trocar de menino Jesus? Valeu-me um castigo. Já nem sei qual. Ao longo da infância tive mais castigos que todos os putos da região de Lisboa em 2017. Com o passar do tempo, as prendas m...
Que a tristeza te convença Que a saudade não compensa E que a ausência não dá paz E o verdadeiro amor de quem se ama Tece a mesma antiga trama Que não se desfaz E a coisa mais divina Que há no mundo É viver cada segundo Como nunca mais... vinicius de Moraes