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A mostrar mensagens de dezembro, 2020

1 ano de Luísa

 Dizia o meu avô Joaquim: - "o bom e o assim a assim aparece todos os dias e já contamos com ele, o excepcional acontece de repente e sem estarmos à espera." Tantas vezes ouvi isto da boca do meu avô, decorei mas nunca dei grande importância até ficar grávida. (Sendo que o processo que me levou à Alice foi como uma gravidez...mais curto mas extremamente avassalador...) Estávamos nós na África do Sul felizes e maravilhados quando o Pedro recebeu como agradecimento por um tratamento um bode. Alguns que por aqui passam devem lembrar-se desse episódio... Andei eu sozinha atrás dele, ou melhor..eu achava que andava, corria sozinha mas não! Uma pequena Luísa já estava dentro da minha barriga. Estávamos em Maio e a Mariana tinha nascido em Março. Queríamos ter mais filhos mas tínhamos planeado começar a tentar lá para Setembro....  Fomos tão apanhados de surpresa que o facto de eu ter vomitado durante uma quantidade astronómica de dias não fez soar qualquer campainha na nossa cabeça...

leite quente com Tofina

Era uma vez o Natal.... Lá atrás. Nos anos 80. Os 5. Dentro do carro. A caminho do Alentejo. O meu pai conduzia. A minha mãe ia ao lado. Eu, o meu irmão e a minha irmã atrás. Eu no meio. Porque era a mais nova. E não tinha escolha. A minha irmã levava um livro para a viagem e estava naquela fase em que não falava com ninguém. Já namorava o meu cunhado e tinha de o deixar no Natal e ainda por cima para ir para o Alentejo...se o mau humor pagasse imposto esta miúda tinha sido esmifrada pelo fisco. O meu irmão ouvia música num walkman. Calado, caladinho porque era cedo e o rapaz ainda não estava bem acordado. Eu não. Não tinha nada. Nem livro, nem walkman. Só eu. E eu! Não queria saber. Eu estava feliz. Eu estava eufórica.... ...tinha saído de um castigo que já durava desde que nasci, ou quase! Durante a viagem cantei.  Falei. Perguntei. E respondi. Perguntei coisas ao meu pai. À minha mãe. À minha irmã. Ao meu irmão. E .... ...a mim própria! Eu joguei ao jogo das matriculas sozinha....

caramelos...

  Lisboa. Campo de Ourique. Anos 80. Século passado.   Vivíamos num segundo andar. Numa das ruas principais do bairro. Dois prédios abaixo do nosso prédio estava a mercearia do Senhor Zé. Zé Maria. Vendia tudo e mais alguma coisa. Incluindo rebuçados de fruta.  E caramelos. Daqueles de nata, cremosos. BONS! Que ficavam presos no último dente da boca, aquele mesmo lá ao fundo onde a língua não chega.   A minha mãe fazia lá as compras e quando eu ia com ela o Senhor Zé Maria abria um frasco grande de vidro, tirava a tampa e dava-me rebuçados.  Eu. Escrutinava cada um deles. A minha mãe olhava para mim com olhos furiosos. Sabia o que ia sair dali. E tinha medo do que ia sair dali. Depois de examinar cada um dos rebuçados. Abria a boca. A minha mãe ameaçava espancar-me com o olhar mas eu não queria saber. - Ó Senhor Zé Maria podia trocar este rebuçado de laranja por um de limão e este pêssego por um de cereja ou de morango? Pode também acrescentar um caramelo?? Conf...