pó de estrela
Foi a minha avó que me ensinou a amar. As pessoas. Os animais. A vida. As estrelas. Eu era uma miúda franzina, birrenta e barulhenta que derretia nos braços da minha avó. Os abraços eram mais doces do que o mel. A minha avó cheirava a bolo de bolacha, a canela, a chocolate e a leite com Tofina. E eu derretia naquele calor e amor imensos. Sonho muitas vezes com a minha avó. Nos sonhos ainda sou franzina. Birrenta. Barulhenta. A minha avó ensina-me. A vida. As pessoas. Os animais. As estrelas. A minha avó é pó de estrela, passaram-se quarenta anos e eu continuo a derreter. Ninguém sabe. Mas. A Alice cheira a bolo de bolacha, os abraços da Mariana são mais doces do que o mel, a gargalhada da Luísa é mais estimulante do que a canela, o João suja-me sempre a melhor roupa com as mãos sujas de chocolate, o Pedro é o aconchego do leite com Tofina. O Vasco e a Gabi têm o cheiro do bolo acabado de roubar. Derreto-me com tudo. Derreto-me com eles. Com a vida. Com as estrela...