a caçadora de heranças...
Convivo muito mal com a morte. Com a minha mas sobretudo com a morte dos que me estão mais próximos. Estremeço quando o telefone toca a horas estranhas. E quando alguma coisa de diferente acontece. Acho que pode ser um sinal. Eu sei que é parvo. Muito parvo. A minha parte racional não compreende. É mais forte do que eu. Tenho medo. Reajo mal. E volto a ter medo. Sou super, hiper hipocondríaca em relação aos meus. E aviso-os. E ralho com eles quando cometem erros gastronómicos por exemplo. Sou mesmo, mesmo neurótica. E não há nada a fazer. Quando tinha 13 anos. A minha avó Maria morreu. De repente. Num momento estava connosco. No outro seguinte já não. Este acontecimento marcou a minha vida para sempre. E eu nunca mais fui a mesma. Não superei. Nunca consegui. Passado pouco tempo morreu o meu avô. E eu percebi que se pode morrer de amor. E isso convive comigo todos os dias. Para mim, ir a um funeral ou a um velório é ...